A matriz de vértices por emissor é o conjunto de taxas indicativas que a ANBIMA publica diariamente para Letras Financeiras (LF). Para cada banco emissor, a matriz informa o spread de crédito observado no mercado secundário em prazos padronizados — os vértices — e por tipo de LF (sênior ou subordinada). Na prática, ela funciona como a curva de crédito de cada banco: mostra quanto o mercado exige de prêmio para emprestar àquela instituição, em cada prazo.
O que é um vértice
Um vértice é um prazo padronizado de referência. Na matriz de LF, os vértices são 1, 3, 6, 12, 24, 36, 48 e 60 meses. As emissões individuais têm vencimentos e liquidez dispersos; ao agregar as observações de mercado nesses pontos fixos de prazo, as taxas ficam comparáveis — entre emissores, entre prazos e ao longo do tempo. É a mesma lógica dos vértices da curva de juros de títulos públicos (veja "Como funciona a curva de juros").
Como a matriz é construída
Coleta: a ANBIMA apura as taxas praticadas no mercado secundário de Letras Financeiras.
Filtro: são consideradas as emissões com fluxo bullet (pagamento integral no vencimento) e remuneração em DI + spread.
Agregação: as observações são consolidadas por emissor, tipo de letra e vértice, gerando a taxa indicativa de cada ponto da matriz.
Publicação: diária, ao fim de cada dia útil — a matriz de hoje reflete as condições de mercado de hoje.
O que a taxa indicativa representa — e o que ela não é
A taxa indicativa é uma marcação a mercado: o spread que o mercado exigiria hoje para carregar o risco daquele emissor naquele prazo. Ela não se confunde com a taxa de emissão (contratual) de um papel específico, que foi fixada no lançamento e não muda.
Exemplo: um papel emitido a CDI + 1,20% pode estar indicado hoje a CDI + 0,80%: o contrato segue pagando o combinado, mas o mercado passou a exigir menos prêmio daquele emissor — o papel valorizou.
Quais tipos de Letra Financeira entram
A matriz separa as taxas por tipo, porque a subordinação muda o risco — e, portanto, o spread:
Tipo | O que é |
|---|---|
LF (sênior) | Dívida sênior do banco; recebe antes das subordinadas em caso de liquidação. |
LFSN (Subordinada Nível II) | Subordinada às seniores; quando emitida com prazo de 5 anos ou mais, é elegível como capital Nível II do banco. |
LFSC (Subordinada Complementar) | Subordinada com cláusula de conversão em capital se o banco atingir gatilhos regulatórios de estresse — o equivalente brasileiro dos CoCo bonds (capital Nível I adicional). |
Dica de leitura: comparar os vértices dos três tipos do mesmo emissor revela o prêmio de subordinação que o mercado cobra daquele banco.
Para que serve
Referência de precificação: é a base de marcação dos papéis bancários — o "preço de tela" de cada emissor e prazo.
Comparação entre bancos: o spread do mesmo vértice em emissores diferentes é uma régua direta de risco relativo percebido pelo mercado.
Leitura de prazo: a inclinação da curva de um emissor mostra quanto prêmio adicional o mercado exige para alongar o crédito naquele banco.